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Michele Marques é a responsável pelo jantar na Gala dos Sóis Guia Repsol, que acontece no dia 13 de Abril, em Évora — o momento em que ficaremos a conhecer a lista dos restaurantes e chefes distinguidos este ano.
Nascida no Brasil, apaixonada por Portugal e encantada pelo Alentejo — e respetiva gastronomia —, Michele Marques abriu em Estremoz o Mercearia do Gadanha e mais tarde a Casa com o mesmo nome (a primeira com um Sol, o segundo um recomendado no Guia Repsol).
O objetivo, desde que se dedica à cozinha a tempo inteiro, tem sido o cruzamento das diferentes influências e paixões que alimenta. Um exercício criativo que, confessa, se faz “através das memórias”.
“Há mais pontos em comum entre o Brasil e o Alentejo do que se imagina: na intensidade dos sabores, nas ervas, nas técnicas e até na forma como se aproveita o produto”. Depois, claro, entra a sensibilidade e a personalidade da cozinheira: “Perceber até onde podemos ir sem perder identidade. Não se trata de misturar tudo, mas de criar um diálogo de respeito entre as duas culturas”.
O compromisso de Michele Marques é tão simples quanto apelativo: “Na Gala Repsol, vamos apresentar um menu que reflete muito do trabalho que temos vindo a desenvolver na Mercearia e na Casa do Gadanha. É um percurso com vários momentos, onde cruzamos produto, memória e território, sempre com base nos ingredientes do Alentejo”.
Para concretizar a tarefa, Michele Marques vai contar com os “preciosos” contributos de Francesco Ogliari (responsável, com Marisa Tiago, pelo Tua Madre, Restaurante Guia Repsol em Évora), Ana Moura (a chef do Lamelas, 1 Sol em Porto Covo) e Diogo Lopes (chef executivo de pastelaria do hotel Ritz Four Seasons, em Lisboa, onde fica o Cura, 2 Sóis Repsol): “Vão estar connosco, cada um traz a sua identidade, mas todos alinhados num ponto essencial, que é valorizar o produto alentejano”.
E de onde vem este produto? De fornecedores de qualidade, referências com o Alentejo como cenário principal. Os vinhos são Adega Mayor e Fitapreta, o azeite é o da Mainova, as carnes e os enchidos da Salsicharia Estromecense e do Pasto Alentejano, os queijos são garantidos pelo Monte da Vinha, há doces dos Sabores de Santa Clara e da Alfredo Gelados; a Coronita, a Delta, a Água Alardo e a Sharish fornecem as restantes as bebidas, a mostarda tem o carimbo da Térrius, o pão é da Mó de Cima, os produtos hortícolas são os da Bioalentejanice e o peixe é trazido pela Nutrifresco.
O cuidado na escolha dos fornecedores foi “grande”: “Trabalhamos com produtores que têm um respeito enorme pelo produto e uma ligação muito forte ao território alentejano. Isso é essencial para nós, saber a origem dos ingredientes, como são produzidos e garantir uma qualidade consistente. Acabam por ser parceiros fundamentais na construção do menu no restaurante e fez todo sentido que os conseguisse trazer também para este dia tão especial”.
Tudo pronto, portanto, para contar uma história, a “nossa história”, diz Michele Marques. “É uma forma de mostrar o nosso percurso e a ligação que fomos construindo com o Alentejo, respeitando a essência da gastronomia do território que tão bem me acolheu.” A chef diz-nos o que vai levar à mesa da Gala dos Sóis Repsol.
Para começar, os bites: Croquete de Borrego com Maionese de Alho Assado, Pastel de Cação e Molho de Coentros, Torresmo de Rissol, Lima e Limão, Escabeche de Perdiz, Empada de Galinha do Campo, Terrina de Pezinhos, Picles e Pão Torrado, Polvo com Puré de Feijão e Chouriço, além de Cogumelos, Creme de Boletus e Limão. A chef Ana Moura assegurará o Escabeche de Mexilhão. Já a Porchetta de Porco Alentejano e Legumes Bio ficará a cargo de Francesco Ogliari.
Quanto aos pratos, Michele Marques apresentará Açorda Alentejana de Bacalhau e Poejos, Migas de Farinheira e Carne de Porco Alentejano do Alguidar, Ensopado de Borrego num Lume de Chão e Bochecha com Esmagada de Batata. Para as sobremesas, eis as iguarias a chegar à mesa: Maçã e Poejos, Gadanhas, Queijada de Noz e Queijada de Amêndoa e, da parte do chef Diogo Lopes, Porco, Bolota e Cogumelos.
Perguntamos à chef responsável pelo serviço da Gala se tem algum prato favorito. Assume que “é sempre difícil escolher, mas há pratos que acabam por ter um peso especial”. Nesta categoria entram os Pastéis de Cação, “que representam muito bem a ponte entre Brasil e Alentejo” que Michele Marques tanto preza e continuamente procura representar e aprofundar: “A ideia foi trazer o sabor da tradicional sopa de cação para um formato mais descontraído, de petisco. E isso liga muito com a cultura brasileira, onde os pastéis fazem parte do dia a dia, especialmente em ambientes mais informais”.
O objetivo é claro: garantir “conforto”, através do trabalho apurado “no produto, na sazonalidade e na memória”. Michele Marques trabalha “com sabores reconhecíveis, mas com uma leitura pessoal, procurando sempre um equilíbrio entre técnica e simplicidade”. Esta é uma cozinha “contemporânea”, mas com “raízes bem vincadas”, assegura.
Para garantir que tudo acontece como antecipa e deseja, Michele Marques confessa: “nada é melhor do que ter como braço direito nesta operação o meu Ruben Trindade Santos, que além de ser o chef da Casa do Gadanha, é o meu companheiro de vida”. Comunhão e partilha, construída, claro, com as equipas que habitualmente colaboram com a dupla.
“Conseguiremos garantir consistência e precisão”, garante. Tudo em articulação com a equipa de sala, que terá um papel fundamental para que a experiência seja completa. “Aqui também contamos com o apoio das nossas equipas e com os alunos da escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre”, esclarece Michele Marques.